quarta-feira, 11 de janeiro de 2012




EFEMÉRIDEFrancisco d'Andrade, prestigiado barítono português, nasceu em Lisboa no dia 11 de Janeiro 1856. Morreu em Berlim, em 8 de Fevereiro 1921.


Filho de um jurista, ele próprio se formou em Direito. Paralelamente, frequentava o Teatro do Ginásio e participava em récitas de amadores na Sociedade Taborda, no Salão da Trindade. Salientava-se pelo seu talento dramático e pelas suas qualidades vocais. Em 1881, partiu para Milão, onde se tornou aluno do então famoso tenor Corrado Miraglia. Posteriormente, após a morte de Miraglia, recebeu aulas de Sebastiano Ranconi, um barítono altamente prestigiado que, após ter deixado de cantar, se dedicara ao ensino.


Em Dezembro de 1882, apresentou-se em San Remo, no teatro Principe Amedeo, no papel de Amonasro da ópera “Aida”. Seguiram-se apresentações em Roma, no Teatro Costanzi. Após uma estadia em Portugal, voltou para Itália, iniciando uma tournée de dois anos por grandes centros culturais do país. Seguidamente, dirigiu-se a Espanha (Teatro Principal de Valência) e a Portugal. Aqui, onde o início da sua carreira tinha sido visto com uma certa reserva, recebeu por fim o devido reconhecimento (Teatro de S. João no Porto, temporada de 1884/85). Etapa importante na sua carreira artística foi também a estadia em Moscovo em 1885/86, contratado pelo Teatro Privado de Ópera. No Verão de 1886, foi a grande atracção do Convent Garden Theater de Londres e cantou em várias récitas, a que assistiram membros das famílias reais de vários países. Desde então, percorreu a Europa infatigavelmente, em numerosas apresentações e com um repertório de mais de 50 obras. Em Março de 1888, participou na estreia de “Dona Branca”, de Alfredo Keil, no Teatro São Carlos. Cantou para os reis de Portugal e de Itália, numa recepção particular em Monza, e realizou uma tournée por várias cidades da Inglaterra e da Escócia.


Em 1889, apresentou-se pela primeira vez na Alemanha, como membro de uma companhia italiana convidada pelo director do Krolltheater de Berlim. A primeira apresentação deu-se em Março com “O Barbeiro de Sevilha” e, em pouco tempo, alcançou grande popularidade. Actuou, entre outros locais, em Bremen, Colónia, Dusseldorf, Magdeburgo e Wiesbaden, além de cidades da Checoslováquia e da Holanda. Em 1894, recebeu a Grande Medalha de Ouro das Artes e Ciências da família real de Wuertemberg. Em 1891, apresentou-se na Suécia.


Em 1902, adquiriu uma vila em Bad Harzburg, que se transformou em breve num verdadeiro centro de peregrinação para os seus admiradores e num centro não oficial da cultura lusa na Alemanha. Em 1906 passou a residir em Berlim.


O “Illustriertes Universum Jahrbuch 1906” salientou que «os críticos louvavam além das suas qualidades vocais, também a sua erudição, nobreza de atitudes e dotes de espírito». Segundo o autor do artigo, «Francisco d’Andrade teria encontrado na Alemanha o ambiente adequado para as suas tendências naturais e para as características da sua personalidade». Na época, segundo o articulista, «a sua representação de “Don Giovanni” de Mozart já se havia tornado determinante na história da ópera». A origem latina do cantor possibilitava uma encarnação modelar deste herói romântico. Também o seu Fígaro, no “Barbeiro de Sevilha” de Rossini, o seu Conde Luna, na ópera “Troubadour” de Verdi e o seu Renato no “Baile de Máscaras” também de Verdi, foram performances altamente louvadas no artigo do referido anuário ilustrado.


Como cantor e como Don Giovanni, Francisco d’Andrade foi tema de pinturas do então jovem pintor Max Slevogt, obras com qualidades artísticas excepcionais e ainda hoje altamente consideradas.


Tornou-se igualmente conhecido por ser um dos primeiros artistas a possuir um automóvel, conduzido por ele próprio. Casou-se em 1900, com a cantora e pianista austríaca Irma Noethig. Durante a Primeira Guerra Mundial, vieram residir para Lisboa. A sua última apresentação em Portugal deu-se no Coliseu dos Recreios, em Maio de 1918. Morreu em Berlim três anos depois, sendo o seu corpo trasladado para Portugal, onde foi sepultado no jazigo da família. A sua mulher voltou posteriormente para Viena, vindo a falecer em Agosto de 1937.

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