sábado, 9 de junho de 2012

EFEMÉRIDEJosé Gomes Ferreira, poeta português, nasceu no Porto em 9 de Junho de 1900. Morreu em Lisboa no dia 8 de Fevereiro de 1985.
Quando tinha quatro anos de idade, a família mudou-se para a capital. O pai, Alexandre Ferreira, era um empresário que se fixou na actual zona do Lumiar, em Lisboa, tendo doado as suas propriedades para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio. José Gomes Ferreira estudou nos Liceus de Camões e de Gil Vicente, onde teve o primeiro contacto com a poesia.
A sua consciência política começou a florescer muito cedo, sobretudo por influência do pai (democrata republicano). Licenciou-se em Direito (1924), tendo trabalhado posteriormente como cônsul na Noruega. Paralelamente, seguiu uma carreira como compositor, chegando a ter a sua obra “Suite Rústica” tocada em público pela orquestra de David de Sousa.
Regressou a Portugal em 1930 e dedicou-se ao jornalismo, colaborando nas seguintes publicações: “Presença”, “Seara Nova”, “Descobrimento”, “Imagem”, “Sr. Doutor” e “Gazeta Musical e de Todas as Artes”.
Iniciou-se na poesia com o poema “Viver sempre também cansa”, publicado na revista “Presença” em 1931. Foi só em 1948 que começou a publicação metódica dos seus trabalhos, com “Poesia I” e “Homenagem Poética a António Gomes Leal” (colaboração).
Ganhou em 1961 o Grande Prémio da Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, com “Poesia III”.
Esteve presente em todos os grandes momentos “democráticos e antifascistas” durante a ditadura salazarista, tendo colaborado com a sua canção “Não fiques para trás, ó companheiro” num álbum de canções revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça.
Em 1978, o seu filho Raul Ferreira foi o autor do projecto da Escola Secundária de Benfica em Lisboa, que viria a chamar-se mais tarde Escola Secundária de José Gomes Ferreira em sua homenagem.
Tornou-se Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978 e foi candidato por Lisboa em 1979 na lista da APU (Aliança Povo Unido), para as eleições legislativas desse ano. Aderiu ao PCP (Partido Comunista Português) em Fevereiro do ano seguinte. Foi condecorado pelo Presidente da República Ramalho Eanes como grande oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada, recebendo posteriormente o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade.
No ano em que foi homenageado pela Sociedade Portuguesa de Autores (1983), foi submetido a uma delicada intervenção cirúrgica, vindo a falecer dois anos depois. Em 1990, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Jorge Sampaio, descerrou uma lápide de homenagem ao escritor, na Avenida Rio de Janeiro, sua última residência. Na ocasião, discursou o escritor, pintor e amigo de José Gomes Ferreira, Mário Dionísio.
No ano do Centenário do nascimento do Poeta (2000), a Videoteca da Câmara Municipal de Lisboa produziu um documentário biográfico sobre José Gomes Ferreira, intitulado “Um Homem do Tamanho do Século”, exibido na RTP 2 e na RTP Internacional. Foi realizado por António Cunha (director da Videoteca), com uma magnífica interpretação do actor João Mota, dizendo diversos poemas de José Gomes Ferreira. Também a pianista Gabriela Canavilhas participou no documentário, interpretando uma peça musical praticamente inédita, composta por Gomes Ferreira para piano.

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