sexta-feira, 29 de junho de 2012

EFEMÉRIDEMoïse Antonin Kapenda-Tshombe, político congolês, morreu na Argélia em 29 de Junho de 1969. Nascera no Musumba, ex Congo Belga, em 10 de Novembro de 1919.
Estudou numa escola de missionários americanos e, mais tarde, especializou-se em contabilidade. Na década de 1950, dirigiu uma cadeia de lojas no Katanga e entrou para a política, fundando o partido CONAKAT, que defendia a independência da província do Katanga.
Nas eleições legislativas de 1960, este partido assumiu o poder no Katanga. Tshombe declarou a secessão da província, do resto do Congo, em 11 de Julho. Houve graves distúrbios étnicos e os katangueses expulsaram os imigrantes de etnia luba, que haviam sido trazidos pela administração colonial belga para trabalharem nas minas. Houve muitas mortes.
Cristão e pró-ocidental, Tshombe foi eleito presidente do Katanga em Agosto de 1960, anunciando que «se separava do caos» (referindo-se aos distúrbios ocorridos no país, após a proclamação da independência). Alguns analistas crêem que Tshombe proclamou esta secessão por não ter sido incluído no governo de Lumumba. Como pretendia manter relações privilegiadas com a Bélgica e em especial com a União Mineira do Alto Katanga, Tshombe solicitou ao governo belga ajuda para constituir e treinar um exército katanguês. A França, também desejosa de aproveitar os minerais, enviou como reforço o mercenário Bob Denard e alguns dos seus homens. O primeiro-ministro Patrice Lumumba e o seu sucessor Cyrille Adoula pediram então a intervenção de forças das Nações Unidas. A ONU respondeu favoravelmente.
Quando Lumumba, depois das tensões com Kasavubu e Mobutu, foi enviado como emissário ao Governo do Katanga em Janeiro de 1961, foi preso, torturado e executado. Supõe-se que o próprio Tshombe terá assistido, com os seus ministros, à execução. As Nações Unidas demoraram dois anos a retomar o controlo do Katanga para o governo congolês.
Em 1963, a tomada do Katanga por parte das forças das Nações Unidas obrigou Moïse Tshombe a exilar-se, primeiro na Rodésia do Norte (actual Zâmbia) e depois em Espanha.
Em 1964, regressou ao Congo para fazer parte de um governo de coligação como primeiro-ministro. Decidiu expulsar de Kinshasa os congoleses de Brazzaville (as duas capitais estão frente-a-frente, os seus habitantes estão bastante misturados e falam as mesmas línguas). Esta decisão foi revogada, um ano depois, pelo presidente Kasavubu. Em 1966, Mobutu, que tinha sido expulso um ano antes, acusou Tshombe de traição, pelo que este teve de fugir novamente para Espanha.
Em 1967, foi condenado à pena capital à revelia. Em Junho, um avião em que viajava foi sequestrado e desviado para a Argélia, onde ficou preso no domicílio até à sua morte em 1969, vítima de ataque cardíaco.

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