domingo, 22 de fevereiro de 2015

22 DE FEVEREIRO - JONAS SAVIMBI

EFEMÉRIDEJonas Malheiro Savimbi, político, guerrilheiro angolano e líder da UNITA durante mais de trinta anos, morreu em Lucusse, Moxico, no dia 22 de Fevereiro de 2002. Nascera em Munhango, Moxico, em 3 de Agosto de 1934.
Em conjunturas diversas, teve o apoio dos governos dos Estados Unidos da América, da República Popular da China, do regime do apartheid da África do Sul, de Israel, de vários líderes Africanos (Félix Houphouët-Boigny da Costa do Marfim, Mobutu Sese Seko do Zaire, Hassan II de Marrocos e Kenneth Kaunda da Zâmbia) e de mercenários de Portugal, Israel, África do Sul e França.        
Savimbi passou grande parte de sua vida a lutar, primeiro contra a ocupação colonial portuguesa e, depois da independência de Angola, contra o governo angolano que era apoiado, em termos militares e outros, pela então União Soviética, por Cuba e pela Nicarágua.
O pai de Savimbi era funcionário dos Caminhos de Ferro de Benguela e também pastor da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA). Jonas Savimbi passou a sua juventude em Chilesso, onde frequentou o ensino primário e parte do ensino secundário em escolas da IECA. Como naquele tempo os diplomas das escolas protestantes não eram reconhecidos, repetiu a parte secundária no Huambo, numa escola católica mantida pela ordem dos Maristas. A seguir, ganhou uma bolsa de estudos providenciada pela IECA, para concluir o ensino secundário e estudar medicina em Portugal.
Em Lisboa, concluiu o ensino secundário, com excepção da matéria “Organização Política Nacional”, obrigatória durante o salazarismo, não chegando por isso a iniciar os estudos universitários.
Entretanto, tinha tomado contacto com um grupo de estudantes angolanos que, em Lisboa, propagavam em segredo a descolonização e discutiam a fundação de uma organização de luta anticolonial. Perante a ameaça de repressão por parte da PIDE, a polícia política do regime, Savimbi refugiou-se na Suíça, valendo-se de contactos obtidos por intermédio da IECA que, inclusive, lhe conseguiu uma segunda bolsa.
Como a Suíça reconheceu o seu curso secundário como completo, iniciou os estudos em Ciências Sociais e Políticas, em Lausanne e Genebra. Savimbi aproveitou a sua estadia na Suíça para aperfeiçoar o domínio do inglês e do francês, línguas que veio a falar fluentemente. 
No início dos anos 1960, saiu da Suíça para se juntar à Guerra de Independência de Angola, entretanto iniciada pela UPA (posteriormente FNLA) e pelo MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Tentando, sem sucesso, obter uma posição de liderança no MPLA, ingressou na FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) que operava a partir de Kinshasa, onde passou a fazer parte da direcção. Como a FNLA beneficiava então do apoio da China, Savimbi teve naquele país uma formação militar adaptada a condições de guerrilha. Saiu mais tarde da FNLA para formar o seu próprio movimento, a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola). Esta teve, desde o início, como principal base social os ovimbundu, a etnia de origem de Savimbi e a mais numerosa de Angola, em contraste com a FNLA, enraizada entre os bakongo, e o MPLA, cuja base original eram os ambundu bem como boa parte dos mestiços e uma minoria da população portuguesa local, oposta ao regime colonial.
A UNITA desenvolveu, entre 1966 e 1974, acções relativamente limitadas no leste de Angola, mas em contrapartida conseguiu uma significativa penetração política clandestina entre os ovimbundu, contando para o efeito com o apoio de boa parte dos catequistas da IECA.
Na sequência da Revolução dos Cravos, que derrubou a ditadura, Portugal anunciou em Abril de 1974 a sua intenção de proceder à descolonização. Em Angola, os três movimentos anticoloniais iniciaram de imediato uma luta pela conquista do poder. Embora a UNITA fosse à partida o movimento mais fraco, Jonas Savimbi decidiu lançar-se na corrida, confiando na sua base social e nos seus apoios externos.
Numa fase inicial, as forças da FNLA e da UNITA, apoiadas principalmente pelo Zaire e pela África do Sul, obtiveram uma clara vantagem sobre o MPLA, que teve apenas um certo apoio de alguns militares portugueses. A situação mudou radicalmente quando Cuba decidiu intervir militarmente a favor do MPLA, com o suporte logístico da União Soviética. Na data marcada para a independência, em 11 de Novembro de 1975, o MPLA – que dominava a capital e a parte setentrional de Angola – declarou a independência em Luanda, que foi imediatamente reconhecida a nível internacional.                    
Face a esta situação, Savimbi fez uma aliança com a FNLA. Juntos, os dois movimentos declararam, na mesma data, a independência de Angola no Huambo e formaram um governo alternativo com sede nesta cidade. Porém, as forças conjuntas do MPLA e de Cuba conquistaram rapidamente a maior parte da metade austral de Angola. O governo FNLA/UNITA, que não havia sido reconhecido por nenhum país, dissolveu-se rapidamente. A FNLA retirou-se por completo do território angolano e desistiu de qualquer oposição armada contra o MPLA. Em contrapartida, Jonas Savimbi decidiu não abandonar a luta e, a partir de bases no leste e sudeste de Angola, começou uma guerra de guerrilha contra o governo do MPLA, desencadeando assim uma guerra civil que só terminaria com a sua morte. 
Em 1992, quando das primeiras eleições em Angola, Savimbi participou sendo o seu partido, a UNITA, derrotado nas eleições legislativas. Ao não aceitar o resultado das mesmas, optou novamente pelo caminho da guerra, perpetuando a guerra civil. Quanto à eleição presidencial, a segunda volta não se realizou devido ao recomeço do conflito armado.
Em 1994, a UNITA assinou os acordos de paz de Lusaca, depois de meses de negociações, e aceitou desmobilizar as suas forças, com o objectivo de conseguir a reconciliação nacional. O processo de paz prolongou-se durante quatro anos, marcado por acusações e adiamentos. Nesse período, muitos membros da UNITA deslocaram-se para Luanda e integraram o governo de Unidade Nacional. No entanto, dissidências internas separaram o braço armado do braço politico, surgindo dessa forma a UNITA renovada, onde Savimbi não se sentia representado, rompendo com os acordos de paz e voltando, novamente, ao caminho da guerra. Viria a morrer, perto de Lucusse, na província do Moxico, após uma longa perseguição efectuada pelas Forças Armadas Angolanas.

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