quarta-feira, 16 de novembro de 2011




EFEMÉRIDEAlain Colas, navegador francês, desapareceu no mar ao largo dos Açores em 16 de Novembro de 1978. Nascera em Clamecy no dia 16 de Setembro de 1943. Foi o primeiro marinheiro a realizar, em solitário, uma volta ao mundo num barco à vela multicasco.


Estudou nos liceus Michelet de Vanves em Clamecy e Jacques Amyot em Auxerre. Fez a disciplina de Filosofia no liceu Paul Bert em Auxerre, obteve o bacharelato em 1961 e frequentou a Faculdade de Letras de Dijon. Estudou Inglês na Sorbonne.


Em Julho de 1963, com 19 anos, fundou o Clube de Canoagem Kayak de Clamecy.


Em 1966, por sugestão do pai, embarcou num cargueiro para a Austrália na mira de um emprego na Universidade de Sydney. Jovem, dinâmico e persuasivo, acabou por ser recrutado pelo St John’s College, onde ensinou Literatura Francesa.


Foi na Austrália que descobriu a vela e as corridas ao largo da baía de Sydney. Em 1967 encontrou Éric Tabarly, que disputava a corrida Sydney-Hobart e que lhe propôs embarcar como cozinheiro a bordo do Pen Duick III num périplo até à Nova Caledónia.


Para Alain, começava a fazer mais sentido o apelo do mar do que a sua carreira universitária. Em Maio de 1968, juntou-se em Lorient a Éric Tabarly, que preparava para a travessia atlântica em solitário, um veleiro experimental gigante, o Pen Duick IV. Colas acompanhou-o durante toda a temporada 1968/1969. Aprendeu assim o ofício de marinheiro de corridas ao largo e tornou-se cronista das suas aventuras marítimas. Em 1970 comprou a Tabarly o Pen Duick IV. Para pagar as primeiras prestações, descreveu as suas viagens na imprensa francesa e anglo-americana e vendeu fotografias.


A fim de treinar e conhecer melhor o barco, participou como franco-atirador na corrida Sydney-Hobart. Foi seguidamente para o Taiti, para fazer reportagens sobre a Polinésia e preparar o seu regresso à metrópole. Encontrou em 1971 uma taitiana, Teura Krause, que se tornou sua companheira e com a qual viria a ter três filhos.


Em Junho de 1972, partiu de Plymouth, em Inglaterra, na 4ª Transat inglesa, uma corrida transatlântica para solitários. Chegou como vencedor a Newport, nos Estados Unidos, pulverizando o recorde da prova com 20 dias 13 horas e 15 minutos.


O seu próximo objectivo era realizar a primeira volta ao mundo em solitário a bordo do Pen Duick IV, rebaptizado Manureva (“o pássaro da viagem” em taitiano) e ligeiramente modificado para afrontar os mares difíceis do hemisfério sul. Alain Colas partiu de Saint-Malo em 8 de Setembro de 1973. Depois de uma escala em Sydney, passou o Cabo Horn em 3 de Fevereiro de 1974. Regressou a Saint-Malo em 28 de Março, batendo por 32 dias o anterior recorde do britânico Francis Chichester, obtido num veleiro monocasco.


Em 1975, concebeu e pôs em marcha a construção de um “quatro mastros”, veleiro de 72 metros de comprimento com alta tecnologia. Assim ia nascer o gigantesco “Club Méditerranée”. Apesar de um grave acidente no tornozelo direito e de vinte e duas cirurgias para salvar o pé, continuou a supervisionar a construção do barco da sua cama no hospital de Nantes.


Em Fevereiro de 1976, o navio foi lançado ao mar no arsenal de Toulon. Era uma vitrina de tecnologia de ponta. Utilizava energia eólica, hidráulica e solar. Possuía um sistema de posicionamento por satélite, um computador e um fax. Em Junho, partiu para a 5ª Transat inglesa. Depois de muitas peripécias e penalizações foi-lhe atribuído o 5º lugar.


Representou depois a França no desfile náutico organizado no rio Hudson, para festejar o bicentenário dos Estados Unidos. Regressado a França, organizou em Agosto e Setembro de 1976 a “Operação Bem-vindos a Bordo”. Acostava o veleiro nos grandes portos da Mancha e do Atlântico, acolhia gratuitamente visitantes durante a manhã e, de tarde, propunha passeios no mar com comparticipação nas despesas, seguidos de projecção de filmes e de conferências. Aproveitava a ocasião para vender os seus livros e objectos ornamentados com o seu logótipo. Continuou com a operação na Primavera e Verão de 1977, nos portos franceses do mediterrâneo.


Em 1978 participou na sua última corrida. A bordo do “velho” Manureva, partiu em 5 de Novembro para a “Primeira Rota do Rum”. No dia 16, quando passava ao largo dos Açores, enviou a sua derradeira mensagem rádio: «Fui apanhado pelo olho do ciclone. Não existe mais céu... Estou cercado por imensas montanhas de água». Navegava entre os primeiros. Do Manureva, ainda concebido em alumínio submersível, não foi encontrado o mais pequeno fragmento.


Diversas homenagens foram-lhe prestadas. Inspirou uma canção de Serge Gainsbourg e o seu nome foi dado a um liceu, a ruas, cais e edifícios em França. Uma estátua em bronze foi inaugurada em 2006 na sua terra natal.


Alain Colas foi o mais megalómano dos velejadores. Ninguém pretendeu voar tão alto como ele. Ninguém teve uma ascensão tão rápida. Ninguém teve uma carreira tão meteórica. Ninguém sofreu um naufrágio tão espectacular.

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