sexta-feira, 19 de outubro de 2012

EFEMÉRIDERemexido ou Remechido (como se escrevia no século XIX), de seu verdadeiro nome José Joaquim de Sousa Reis, célebre guerrilheiro algarvio, nasceu em Estombar no dia 19 de Outubro de 1797. Morreu em Faro, em 2 de Agosto de 1838.
Casou-se em S. Bartolomeu de Messines, devendo-se aliás ao seu casamento o nome por que ficou conhecido, já que se rebelou (remexeu) contra o seu tutor, que lhe proibia o casamento.
Era um homem de posses, capitão de ordenanças, além de exercer a função de recebedor do concelho. Servindo D. Miguel, e lado a lado com o brigadeiro Cabreira, derrotou o famoso Sá da Bandeira na batalha de Sant’ Ana. Estava-se na época da guerra civil, entre liberais e miguelistas, sendo ele um acérrimo defensor destes últimos.
Quando o primeiro duque da Terceira invadiu o Algarve, no decurso da Guerra Civil portuguesa, o Remexido escondeu-se na serra algarvia, onde – recorrendo a tácticas de guerrilha e apoiado por serranos – venceu sistematicamente as tropas governamentais. Diversos crimes foram cometidos em seu nome e o Remexido rapidamente se tornou numa lenda de temor que se espalhou até ao Alentejo. Estudos posteriores parecem tê-lo ilibado de muitos dos crimes e outras acções ignominiosas.
No final da guerra, em lugar de lhe concederem o perdão a que, nos termos da Convenção de Évora Monte, tinha direito, as novas autoridades liberais queimaram-lhe a casa e açoitaram publicamente a sua mulher com uma palmatória (como faziam às prostitutas) por não revelar onde ele se encontrava escondido. Por fim, mataram-lhe um filho de 14 anos.
Revoltado contra tanta crueldade, vingou-se como podia e jamais se entregou, mantendo a sua acção de guerrilha ainda durante vários anos. Procurava castigar os que o perseguiam, mas perdoava aos soldados que lhe caíam nas mãos, porque «desempenhavam um serviço que eram obrigados a fazer».
Por fim, foi capturado, levado a Conselho de Guerra e executado em Faro. O Conselho, pouco simpatizante da “causa miguelista”, apesar da rainha D. Maria II lhe ter concedido o perdão, não acatou tal ordem e mandou-o fuzilar por razões políticas e pessoais.

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