segunda-feira, 8 de outubro de 2012

EFEMÉRIDEWilly Brandt, de seu nome original Herbert Ernst Karl Frahm, político social-democrata alemão, morreu em Unkel no dia 8 de Outubro de 1992. Nascera em Lübeck, em 18 de Dezembro de 1913.  
Entre 1957 e 1966, foi Burgomestre/Governador de Berlim; de 1966 a 1969, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-chanceler da República Federal Alemã (RFA); e entre 1969 e 1974, Chanceler da RFA. Pela sua Ostpolitik, cujo objectivo era o desanuviamento e equilíbrio com os países do Leste, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Paz em Dezembro de 1971. Demitiu-se de Chanceler em 1974, devido ao escândalo da descoberta de um espião da Alemanha de Leste (RDA) a trabalhar no seu gabinete.
Ingressou na Juventude Operária Socialista em 1929 e, um ano depois, no Partido Social Democrata (SPD). Em 1931, mudou para o Partido dos Trabalhadores Socialistas (SAP), uma formação de extrema-esquerda.
Em 1932, acabou os estudos secundários no Johanneum zu Lübeck. Após a ascensão de Hitler ao poder em 1933, o SAP foi proibido, continuando no entanto a existir clandestinamente. Willy Brandt recebeu ordem para organizar uma célula do partido em Oslo e emigrou para a Noruega. Em 1934, começou a usar o pseudónimo de Willy Brandt, que se tornaria o seu nome oficial em 1949.
Usando o nome falso de Gunnar Gaasland, voltou à Alemanha em 1936 para frequentar uma faculdade. Em 1937, partiu para Espanha a fim de trabalhar como jornalista na Guerra Civil Espanhola.
Em 1938, foi expulso da Alemanha pelo governo nazi. Em consequência disso, pediu a nacionalidade norueguesa. Após a ocupação da Noruega pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, Brandt foi feito prisioneiro. Vestindo o uniforme norueguês, não foi descoberto e foi libertado pouco tempo depois, fugindo então para a Suécia. Em Agosto de 1940, foi-lhe concedida a nacionalidade norueguesa na embaixada em Estocolmo. Brandt permaneceu na Suécia até ao final da guerra.
Brandt voltou à Alemanha em 1945, como correspondente de vários jornais escandinavos. Em 1948, obteve de novo a nacionalidade alemã.
Nas eleições parlamentares de 1961, Brandt candidatou-se a chanceler pela primeira vez, competindo com Adenauer. Apesar de um bom resultado do SPD, isso não foi o suficiente para formar governo. Em 1964, depois da morte de Erich Ollenhauer, Brandt assumiu a presidência do partido a nível federal. Nas eleições parlamentares de 1965, foi derrotado de novo, desta vez pelo chanceler Ludwig Erhard. Desiludido, Willy Brandt retirou-se temporariamente da política federal e recusou-se a ser de novo candidato.
Depois da demissão de Erhard, Kurt Georg Kiesinger foi eleito chanceler e formou uma Grande Coligação com o SPD. Willy Brandt demitiu-se das suas funções em Berlim, tornando-se então Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-chanceler da RFA.
Depois das eleições parlamentares de 1969, Willy Brandt formou governo, sendo seu parceiro de coligação o Partido Liberal (FDP). Esta coligação tinha uma maioria no Bundestag de somente seis votos. Brandt foi o 4º Chanceler da República Federal da Alemanha, sendo o primeiro de esquerda em mais de 40 anos.
O mandato de Willy Brandt foi caracterizado pela Ostpolitik. O começo simbólico desta política foi o famoso Ajoelhamento em Varsóvia, no memorial às vítimas do nazismo. Culminou com a assinatura de acordos de normalização com a Polónia e a União Soviética, seguindo-se pouco depois o Acordo Básico com a Alemanha Oriental (República Democrática Alemã - RDA) e um acordo com a Checoslováquia.
Esta nova política é hoje considerada como tendo sido o primeiro passo para a reunificação alemã. Na época era, no entanto, enfrentada com grande resistência por parte dos conservadores. Brandt era apelidado mesmo de traidor e intriguista. Ao mesmo tempo, incitava reformas internas nas áreas sociais, jurídicas e da educação. A finalidade era superar a estagnação da Alemanha do pós-guerra. Muitas das reformas nunca foram implementadas, por causa da resistência do seu parceiro de coligação, dos estados governados por conservadores e também pela Crise do Petróleo e pela Guerra do Yom Kippur.
Em 1972, após várias dissidências, Brandt perdeu a maioria e pediu a dissolução do Bundestag. Nas eleições parlamentares que se seguiram, o governo de Willy Brandt foi confirmado com uma grande maioria. Em Julho de 1973, foi a Israel, tornando-se o primeiro chanceler alemão a visitar este país.
Em Maio de 1974, demitiu-se devido ao escândalo da descoberta de um espião da RDA no seu gabinete. O espião Günter Guillaume era membro do partido e um dos mais próximos assessores de Brandt. Foi uma grande surpresa para o público. Hoje, sabe-se que a demissão foi também causada por fadiga e depressão, e igualmente pelas críticas contínuas ao seu modo de liderar.
O sucessor de Brandt foi Helmut Schmidt, continuando Brandt como presidente do Partido Social Democrata. Depois da sua demissão como chanceler, Willy Brandt permaneceu politicamente muito activo, sendo Presidente da Internacional Socialista entre 1976 e 1992 e deputado no Parlamento Europeu entre 1979 e 1983.
Encontrou-se frequentemente com importantes personalidades mundiais, como Yasser Arafat (1979, em Viena), Fidel Castro (1984, em Cuba), Deng Xiaoping e Mikhail Gorbatchov (também em 1984) e com Erich Honecker (1985, em Berlim-Leste).
Apareceu em público pela última vez em 1990, quando inaugurou o primeiro Bundestag da Alemanha reunificada. Algumas semanas antes, tinha voltado de Bagdad com 194 reféns, cuja libertação conseguira após negociações com o presidente Saddam Hussein, depois da invasão iraquiana no Kuwait.
A partir de 1990, o estado de saúde de Willy Brandt agravou-se. Já em 1978, tinha sofrido um ataque cardíaco e, em 1991, foi-lhe descoberto e retirado um tumor. Em 1992, o cancro voltou a atormentá-lo e foi abortada uma operação cirúrgica prevista para Maio, visto que muitos órgãos já estavam afectados. Morreu em Outubro, tendo sido sepultado no cemitério Waldfriedhof em Berlim.

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