sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

19 DE DEZEMBRO - MANOEL DE BARROS

EFEMÉRIDEManoel Wenceslau Leite de Barros, poeta brasileiro, nasceu em Cuiabá no dia 19 de Dezembro de 1916. Morreu em Campo Grande, em 13 de Novembro de 2014. Pertence cronologicamente à Geração de 45 mas, formalmente, pode ser considerado um pós-modernista, situado mais próximo das vanguardas europeias do início do século, da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade.
Um ano após o seu nascimento, a família foi viver numa propriedade rural em Corumbá. Mudou-se sozinho, ainda criança, para Campo Grande, onde estudou num colégio interno e, mais tarde, foi para o Rio de Janeiro, a fim de completar os estudos, tendo-se licenciado em Direito (1941). 
O seu primeiro livro não era de poesia e perdeu-se em razão de uma confusão com a polícia: - Quando vivia no Rio de Janeiro, ingressou na Juventude Comunista e pintou as palavras «Viva o Comunismo» numa estátua. A polícia foi buscá-lo à pensão onde vivia, mas a dona do estabelecimento pediu para «não prender o menino, tão bom que até tinha escrito um livro chamado “Nossa Senhora de Minha Escuridão”». O polícia que comandava a operação, sensibilizou-se e Manoel não foi preso, mas o livro foi levado por um dos agentes da autoridade.
Recebeu vários prémios, entre os quais dois Jabutis, o maior prémio literário do Brasil. É o poeta brasileiro da contemporaneidade mais aclamado nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou mesmo o epíteto de “maior poeta vivo do Brasil” em favor de Manoel de Barros. A sua obra mais conhecida é “Livro sobre Nada” (1996).
Embora a poesia tenha estado presente na sua vida desde os 13 anos, teria escrito o primeiro poema somente aos 19 anos. O seu primeiro livro publicado foi “Poemas concebidos sem pecado” (1937), feito artesanalmente por amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou para ele.
Viveu depois na Bolívia, no Peru e também, durante um ano, em Nova Iorque, onde fez um curso de Cinema e Pintura no Museu de Arte Moderna.
Na década de 1960, fixou-se em Campo Grande, ocupando-se da criação de gado, mas sem deixar nunca de dedicar muito do seu tempo à poesia.
Apesar de ter escrito muitos livros durante a sua vida e de ter ganho vários prémios, a sua obra ficou desconhecida do grande público durante muito tempo, possivelmente porque o poeta não frequentava os meios literários e editoriais e «por orgulho, não bajulava ninguém».
Os seus trabalhos começaram a ser valorizados nacionalmente a partir da descoberta do escritor por Millôr Fernandes, já na década de 1980. Foi então considerado o maior ou um dos maiores poetas do Brasil, sendo um dos mais aclamados nos círculos literários do país. Parte da sua obra tem sido publicada em Portugal, Espanha e França.
O cantor Márcio de Camillo, antes da morte do poeta, propôs musicar alguns dos seus poemas, o que resultou no CD “Crianceiras
Manoel de Barros morreu depois de seis meses de «ruína física», resultante certamente dos seus quase 98 anos de idade. 

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