segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

27 DE FEVEREIRO - RUY ROQUE GAMEIRO

EFEMÉRIDE – Ruy Roque Gameiro, escultor português, nasceu na Amadora no dia 27 de Fevereiro de 1906. Morreu na estrada de Sintra em 18 de Agosto de 1935.
Cresceu na Venteira, hoje Amadora, numa casa traçada segundo os cânones da “casa portuguesa”, assinada a quatro mãos pelo pai e pelo arquitecto Raul Lino. Um outro amigo, Rafael Bordalo Pinheiro, desenhara os azulejos da sala de jantar. O futuro escultor habituara-se a ver, como visitas frequentes da casa, o escritor Afonso Lopes Vieira, o escultor Teixeira Lopes e o pintor José Malhoa, entre outros artistas. Ruy gostava de vaguear pelos campos e de se vestir como um pescador. Amava os seus cães, o mar e o sol.
Apesar de ter morrido relativamente jovem, mereceu a atenção favorável da crítica, ocupando um lugar de destaque entre os escultores da segunda geração de artistas modernistas portugueses.
Frequentou o curso de mecânico de automóveis na Escola Industrial Marquês de Pombal em Lisboa. Terminou o curso da Escola de Belas Artes de Lisboa em 1928, com uma escultura intitulada “Abel e Caim”. No ano seguinte, expôs pela primeira vez, apresentando uma estilizada “Salomé” na Sociedade Nacional de Belas Artes. Participou no I e II Salões dos Independentes (SNBA, 1930 e 1931).
Entre as suas obras mais importantes, sobressaem os monumentos aos Mortos da Primeira Guerra Mundial, em Abrantes e em Lourenço Marques (actual Maputo). Datada de 1930, a estátua de Abrantes (“Monumento aos Mortos pela Pátria, 1914/1918”) foi a primeira em Portugal a ser fundida em cimento. A de Maputo, projectada em colaboração com o arquitecto Veloso Reis, foi primeiro prémio no concurso para o “Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial” (1931), tendo sido exposta em 1934 na Avenida da Liberdade em Lisboa e entregue à cidade moçambicana no ano seguinte. A invulgar dignidade formal destas obras, onde avulta a figura imponente da Mulher/Pátria, de vestes moldantes, destaca-as como das mais notáveis da produção escultórica nacional do seu tempo.
Ruy Roque Gameiro ganhou ainda o concurso para uma estátua a “D. João II” na Avenida da Índia, Lisboa (1930) e participou na Exposição Internacional de Paris de 1932.
Foi premiado postumamente no primeiro concurso para o “Monumento ao Infante D. Henrique”, Sagres, 1936 (em colaboração com os arquitectos Carlos e Guilherme Rebelo de Andrade), embora esse projecto vencedor não tenha sido construído. A escultura de Gameiro que o integrava foi apresentada nos pavilhões portugueses das Feiras Internacionais de Paris (1937) e de Nova Iorque (1939).
Casou em 1933, com Maria Helena Castelo Branco. Ambos morreram dois anos mais tarde, num desastre de viação ocorrido na estrada de Sintra, em que a sua moto colidiu com um automóvel. A morte prematura, aos 29 anos de idade, impediu-o de realizar uma obra que, a julgar pelo espólio que deixou, seria determinante na sua geração.

Sem comentários:

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
- Lisboa, Portugal
Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...