sexta-feira, 9 de dezembro de 2011




EFEMÉRIDE – Antoon Van Dyck, pintor flamengo que se tornou o principal pintor da corte inglesa, morreu em Blackfriars, perto de Londres, em 9 Dezembro de 1641. Nascera em Antuérpia no dia 22 de Março de 1599.


Van Dyck era filho de um próspero comerciante de sedas e de especiarias e a mãe faleceu quando ele ainda era criança. Em 1609, aos dez anos, tornou-se aprendiz do pintor de figuras Hendrik van Baleno. Aos quinze anos, depois de pintar alguns quadros admiráveis, já era um artista altamente aperfeiçoado.


Instalou-se num estúdio próprio aos dezasseis anos, ainda em Antuérpia, tendo trabalhado com Jan Brueghel. Não poderia, no entanto, vender as suas obras antes de ser oficialmente qualificado como mestre. Em Fevereiro de 1618, registou-se como mestre na Guilda dos Pintores de Antuérpia. Ambicioso, tornou-se discípulo de Rubens, cujo estilo assimilou com uma facilidade espantosa. Rubens referiu-se ao jovem pintor, então com dezanove anos, como «o melhor de seus discípulos».


Aos vinte e um anos, foi nomeado “assistente chefe” de Rubens e recebeu a tarefa de pintar o tecto (actualmente destruído) da Igreja Jesuíta de Antuérpia.


Por volta de 1620, a reputação de Van Dyck estava firmemente estabelecida. Em Novembro daquele ano, depois de ter estado em Itália, visitou a Inglaterra ficando três meses em Londres. Nessa curta temporada, pôde estabelecer contacto com dois dos maiores coleccionadores de arte ingleses: o Conde de Arundel e o Duque de Buckingham. Apesar da rivalidade entre estes nobres, realizou pinturas para ambos e teve acesso às suas notáveis colecções: o Conde de Arundel possuía trinta e seis pinturas de Ticiano e o Duque de Buckingham tinha uma vasta colecção de obras de Veronese. Van Dyck admirava muito os trabalhos destes velhos mestres venezianos.


Regressado a Antuérpia, partiu para Itália, instalando-se em Génova, onde ficou seis anos. Era uma cidade perfeita para qualquer pintor: rica, elegante e com senhores poderosos. Foi aqui que ele se definiu como retratista da aristocracia. Sob a influência renovadora da arte italiana e tendo diante de si o exemplo dos retratos genoveses executados por Rubens, o seu estilo expandiu-se intensamente. As genovesas, mais do que outras mulheres italianas, eram devotadas ao lar e à reclusão, sendo recatadas e tímidas por temperamento. Tais características foram captadas magistralmente nos seus retratos.


Em 1627, resolveu voltar a Antuérpia, em virtude da morte de uma irmã. Trabalhou para a Igreja e continuava a ser muito solicitado como retratista. Também executou obras mitológicas, tais como “Rinaldo e Armida”, adquirida por Carlos I em 1629. Em Maio de 1630, foi indicado como pintor da corte, tendo feito numerosos retratos da Arquiduquesa Isabella.


Em 1632, Carlos I, encorajado pelo Conde de Arundel, convidou-o para a sua corte. Carlos I, que se tornara rei em 1625, tinha a reputação de ser um generoso patrono das artes, tendo sido descrito por Rubens como «o maior apreciador de pintura, entre todos os príncipes do mundo». Van Dyck, que sentia uma atracção pela vida na corte, aceitou. Passou a viver numa casa de Blackfriars, com as despesas pagas por Carlos I, e a ter acesso a uma residência de verão em Eltham, recebendo ainda uma pensão anual de duzentas libras esterlinas.


Em Julho de 1632, foi nomeado Cavaleiro. A sua casa era frequentada pela mais alta nobreza da época. «Van Dyck mantinha servos, músicos, cantores e bobos. Com estas diversões, entretinha as grandes figuras que diariamente vinham posar para os seus retratos», escreveu o biógrafo Bellori.


Durante os nove anos que esteve em Inglaterra, pintou cerca de trinta retratos em grandes dimensões para Carlos I, além de receber muitas encomendas da aristocracia. A sua produção de retratos foi verdadeiramente prodigiosa.

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