segunda-feira, 19 de dezembro de 2011




EFEMÉRIDEVitus Jonassen Bering, oficial e explorador dinamarquês ao serviço do Império Russo, também conhecido como o “Colombo dos Czares”, morreu na ilha Avatscha (ou ilha de Bering) em 19 de Dezembro de 1741. Nascera em Horsens, na Jutlândia, no dia 12 de Agosto de 1681.


O estreito de Bering, o mar de Bering, a ilha de Bering e a ponte terrestre de Bering foram assim denominados em sua homenagem.


Após uma curta viagem às Índias, alistou-se na Armada da Rússia em 1703, servindo na frota do mar Báltico durante a Grande Guerra do Norte. Entre 1710 e 1712 esteve na frota do mar de Azov, em Taganrog, onde participou na Guerra Russo-Turca de 1710 a 1711.


Casou com uma russa. Só voltou uma vez, brevemente, à Dinamarca (1715). Em 1725, sob os auspícios do governo russo e de Pedro “o Grande”, viajou por terra até ao porto de Okhotsk, cruzou o mar de Okhotsk e chegou à península de Kamchatka. Aí construiu o navio Sviatoi Gavriil (São Gabriel em russo) e, em 1728, seguiu rumo ao norte. Em Agosto, descobriu a ilha de São Lourenço, que foi o primeiro local conhecido no Alasca a ser visitado por exploradores ocidentais. Seguiu sempre para o norte, até já não ver terra nesse rumo (passando portanto pelo estreito de Bering), demonstrando assim que a Rússia e a América estavam separadas por água. No regresso foi criticado por não ter conseguido avistar o continente americano, envolto em nevoeiro.


No ano seguinte, começou uma busca para leste para encontrar o continente americano, mas não o conseguiu, embora redescobrisse a ilha de Ratmanov, a mais ocidental das ilhas Diomedes, que fora já descoberta por Semyon Dezhnyov. No Verão de 1730, regressou a São Petersburgo. Durante a longa viagem à Sibéria, que o fizera cruzar todo o continente asiático, ficou gravemente doente e cinco dos seus filhos morreram durante a travessia.


Bering voltou a ser escolhido para liderar uma segunda expedição a Kamchatka, desta vez pela imperatriz Ana da Rússia, que tinha subido ao trono em 1730. Os objectivos eram explorar uma parte da Sibéria, as costas russas do norte e as rotas marítimas entre Okhotsk, América do Norte e Japão. Bering voltou assim a Okhotsk em 1735. Com a ajuda de artesãos locais construiu dois navios: o Sviatoi Piotr (São Pedro) e o Sviatoi Pavel (São Paulo), com que partiu em 1740. Fundou Petropavlovsk em Kamchatka e daí liderou uma expedição à América do Norte em 1741. Uma tempestade separou os dois barcos e Bering viu-se na costa sul do Alasca, no mar de Bering, desembarcando perto da ilha Kayak. O segundo barco, capitaneado por Alexei Tchirikov, desembarcou no arquipélago Alexander, no sudeste do Alasca. Estas viagens de Bering e Tchirikov ocuparam um lugar central nos esforços da Rússia por explorar o Pacífico Norte e são hoje em dia conhecidos como a “Grande expedição do Nordeste”.


As duras condições da região obrigaram Bering a regressar. No caminho de regresso, descobriu algumas das ilhas do arquipélago das Aleutas, às quais chamou ilhas Shumagin em homenagem a um marinheiro do seu barco que morreu e ali foi enterrado. Adoeceu entretanto e, não podendo governar o navio, teve de se refugiar nas ilhas Comandante, a sudoeste do mar de Bering. Morreu (julga-se que vítima de escorbuto) em 19 de Dezembro de 1741, na Ilha de Bering, onde também morreram 28 membros da sua tripulação.


Entre os resultados tangíveis da expedição, destaca-se a precisa cartografia da costa norte e nordeste da Rússia, a refutação da lenda sobre lendários habitantes do Pacífico norte e a realização de um estudo etnográfico, histórico e biológico da Sibéria e de Kamchatka. Com os seus 3 000 participantes, directos e indirectos, foi uma das maiores expedições da História. O custo total, financiado pelo Estado russo, foi de 1,5 milhões de rublos, uma inacreditável soma para a época, mais ou menos uma sexta parte dos rendimentos anuais da Rússia.


A importância do trabalho de Bering não foi reconhecida durante muito tempo, até o navegador inglês James Cook provar, na sua terceira viagem pela região (1776/79), a exactidão das suas observações.


Em Agosto de 1991, os restos de Bering e de cinco dos seus tripulantes foram descobertos por um transporte marítimo russo-dinamarquês. Os corpos foram transportados para Moscovo, onde os médicos conseguiram estabelecer a sua aparência. Os dentes não tinham sinais evidentes de escorbuto, o que conduziu à conclusão de que teriam morrido de outra qualquer doença.

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