quarta-feira, 7 de dezembro de 2011




EFEMÉRIDEFerdinand, conde de Lesseps, diplomata e empresário francês, morreu em La Chesnaye no dia 7 de Dezembro de 1894. Nascera em Versalhes, em 19 de Novembro de 1805. Foi casado duas vezes e teve 17 filhos.


Apelidado de “O Grande Francês”, ele foi o promotor dos dois projectos de canais mais ambiciosos da época – o canal do Suez e o canal do Panamá.


A origem da sua família dataria do final do século XIV. Os seus antepassados, vindos segundo se julga da Escócia, instalaram-se em Baiona quando a região estava ocupada pela Inglaterra. Desde o meio do século XVIII, consagraram-se à carreira diplomática, na qual Ferdinand também ocupou diversas funções entre 1825 e 1849. O pai foi feito conde por Napoleão I.


Passou os primeiros anos de vida em Itália, onde estava colocado o pai. Prosseguiu depois os estudos em Paris. Interessou-se pela equitação, tornando-se um cavaleiro notável, o que lhe daria mais tarde grande crédito junto dos seus interlocutores árabes.


De 1825 a 1827 foi vice-cônsul auxiliar em Lisboa, onde um tio era “encarregado de negócios”. Esteve depois na Tunísia e na Argélia.


Em 1832 foi nomeado vice-cônsul em Alexandria. A fim de o ajudar a passar o tempo durante a quarentena do navio, o cônsul geral fez-lhe chegar vários livros, entre os quais uma “memória”, escrita pelo engenheiro Jacques-Marie Le Père, acerca da abertura de um canal através do istmo do Suez. Assim nasceu o projecto do canal na mente de Lesseps. Mehemet Ali, vice-rei do Egipto, e o filho Saïd Pacha dar-lhe-iam em 1854 a concessão para a perfuração do canal do Suez.


Foi cônsul no Egipto de 1833 a 1837, primeiro no Cairo e depois em Alexandria. Houve uma terrível epidemia de peste durante dois anos, que dizimou mais de um terço dos habitantes das duas cidades. Fazendo prova de um ardor imperturbável, Ferdinand continuou serenamente a sua missão diplomática.


Esteve depois em Roterdão, Málaga e Barcelona. Durante uma insurreição sangrenta na Catalunha, que finalizou com o bombardeamento de Barcelona, Lesseps demonstrou grande coragem, salvando da morte, sem distinções, homens pertencentes às facções rivais e protegendo não só os residentes franceses como também estrangeiros de todas as nacionalidades. Em 1859 criou uma escola para os filhos dos imigrantes franceses em Barcelona. Ainda existe hoje, tem o seu nome e é o mais antigo estabelecimento escolar francês da Península Ibérica.


Em 1854, um primeiro plano do canal foi desenhado a seu pedido por dois engenheiros franceses, Linant de Bellefonds e Mougel. Depois de ligeiramente modificado, o plano foi adoptado em 1856 por uma Comissão Internacional criada para o efeito. Encorajado pelas suas convicções, apoiado pelo imperador Napoleão III e pela imperatriz Eugénia, Lesseps reuniu por subscrição mais de metade do capital necessário para fundar a Companhia Universal do Canal Marítimo do Suez. O governo egípcio subscreveu o restante. O canal foi construído entre 1859 e 1869.


Recebeu o apoio de Napoleão III e de grandes empresas para a elaboração de outros projectos, como um túnel sob a Mancha, ligações ferroviárias através da Ásia e o canal do Panamá.


Ferdinand de Lesseps deixou atrás de si certas zonas de sombra, propícias tanto ao culto como à suspeição. Em 1893, foi investigado por tráfego de influências e desvio de fundos devido ao “escândalo do Panamá”. Neste projecto, os accionistas perderam tanto dinheiro que Lesseps foi condenado a cinco anos de prisão, que aliás não cumpriu em virtude da sua avançada idade (88 anos) e do seu precário estado de saúde.


Foi presidente da Sociedade de Geografia em 1881 e membro da Sociedade Protectora dos Indígenas. Entrou para a Academia das Ciências em 1873 e para a Academia Francesa em 1884. Recebeu a Grande Cruz da Legião de Honra em 1896. Entre as homenagens de que foi alvo salientam-se uma praça com o seu nome em Barcelona e uma estátua no Panamá. Também foi dado o seu nome a um paquete francês e a uma estação de metro em Barcelona.

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