sexta-feira, 16 de dezembro de 2011




EFEMÉRIDE Camille Saint-Saëns, compositor, pianista e organista francês da época pós romântica, morreu em Argel no dia 16 de Dezembro de 1921. Nascera em Paris, em 9 de Outubro de 1835.


Órfão de pai aos quatro meses, foi criado pela mãe e por uma tia. Como havia um piano na casa, aos três anos de idade já gostava de brincar com as teclas e, em pouquíssimo tempo, tocava pequenas melodias sem ter sido ensinado por ninguém. A mãe e a tia deram-lhe então as primeiras lições de teoria musical. Aos 7 anos começou a escrever pequenas peças e aos 10 anos conseguia tocar algumas das peças mais difíceis de Mozart e de Beethoven. Apresentou-se em público pela primeira vez na Sala Pleyel, em Paris, em Maio de 1846, tocando o 3° Concerto de Beethoven e o N° 15 de Mozart, para o qual escreveu a sua própria cadência. Aos 13 anos de idade, entrou para o Conservatório de Paris, onde estudou órgão, contraponto e fuga, com grandes mestres.


Para auxiliar a família, tocava órgão na Igreja de St. Merry e, em 1857, obteve o cargo de organista da Igreja da Madalena, cargo esse que ocupou durante duas décadas. Aos 25 anos já era famoso em toda a Europa como pianista e compositor, tendo escrito três sinfonias, um concerto para violino, um quinteto e várias peças de música sacra. Suscitou a admiração de Liszt e de Berlioz, travando amizade com o primeiro que, ao vê-lo a improvisar no órgão da Madalena, o classificou como «o maior organista do mundo».


Saint-Saëns adquiriu um conhecimento profundo da música, familiarizando-se com as obras dos grandes compositores europeus antigos e modernos. Possuía também uma vasta e sólida cultura em filosofia, ciência e literatura. Em astronomia chegou a ser uma verdadeira autoridade. Escreveu um livro de filosofia, “Problemas e Mistérios”, poemas, uma comédia e libretos de várias das suas óperas. Em 1858, o editor Girod pagou-lhe 500 francos por uma partição, dinheiro que ele utilizou para adquirir um telescópio.


De 1861 a 1865, obteve o lugar de professor de piano na Escola Niedermeyer em Paris. Em 1865, a sua cantata “As Núpcias de Prometeu” foi premiada num concurso, de cujo júri faziam parte, entre outros, Rossini, Berlioz, Verdi e Gounod. No ano seguinte compôs, em apenas dezassete dias, o “Segundo Concerto para Piano”, porque o seu amigo Anton Rubinstein viria a Paris e tinha necessidade de algo de novo para tocar.


Durante os anos 1870, escreveu regularmente para a “Gazette musicale” e, paralelamente, alistou-se na Guarda Nacional quando começou a guerra entre a Alemanha e a França. Instalou-se depois em Inglaterra e tocou órgão e piano em Windsor para a rainha Victoria.


Voltou a Franca, depois de estudar partições de Haendel na biblioteca do Palácio de Buckingham, e fundou a Sociedade Nacional de Música. Foi convidado em Novembro de 1875 para apresentar as suas obras em São Petersburgo.


No começo dos anos 1880, o seu génio foi publicamente reconhecido, sendo eleito para a Academia das Belas-Artes em 1881 e promovido a Oficial da Legião de Honra em 1884. Voltou à Rússia em 1887, compondo e tocando “Capriccio”, sobre temas russos e dinamarqueses, uma peça dedicada a Alexandre III e à imperatriz Maria Feodorovna, nascida princesa da Dinamarca.


Saint-Saëns gostava muito de viajar e, movido por súbitos impulsos, fazia excursões repentinas às partes mais distantes do planeta. Visitou a Espanha, o Ceilão, a Indochina, a Argélia, o Egipto e, por várias vezes, a América.


Em 1893 foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade de Cambridge, ao mesmo tempo que Tchaïkovski. Em 1900, a cantata “O Fogo Celeste” foi executada na abertura da Exposição Universal de Paris. Foi feito Comendador da Legião de Honra e recebeu a Cruz do Mérito. Em 1907 foi doutorado Honoris Causa na Universidade de Oxford. Em 1913, ainda mais uma recompensa: a Grande Cruz da Legião de Honra.


A morte veio surpreendê-lo na cama de um hotel em Argel. «Desta vez, creio que é mesmo o fim», murmurou fechando os olhos para sempre.


A obra musical de Camille Saint-Saëns é imensa: cinco sinfonias, concertos para violoncelo, piano e violino, peças para órgão, música vocal e instrumental, sacra e profana. Compôs também doze óperas, sendo “Sansão e Dalila” (1877) a mais conhecida. Foi igualmente o primeiro compositor de renome a compor música para um filme (“O assassinato do duque de Guise” em 1908).

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