sábado, 19 de maio de 2012

EFEMÉRIDEDaniel Yves Alfred Gélin, actor, realizador e cenarista francês, nasceu em Angers no dia 19 de Maio de 1921. Morreu em Paris, em 29 de Novembro de 2002, vítima de insuficiência renal.   
Em jovem, profundamente indisciplinado, foi expulso de dois colégios. O pai, em desespero de causa, colocou-o numa conserveira de bacalhau e, mais tarde, admitiu-o no seu atelier de cordoaria, como ajudante de armazém. Mas do que Daniel gostava era de ir ao cinema com as suas primeira namoradinhas e o seu sonho inabalável era partir para Paris a fim de estudar teatro. A mãe chorou e o pai, mais pragmático, sossegou-a: «Não te preocupes, vamos deixá-lo partir. Ele voltará rapidamente para as tuas saias». 
Ei-lo portanto à conquista da capital. Inscreveu-se em vários cursos de Arte Dramática em Paris, entrando seguidamente para o Conservatório. Começou depois a sua carreira no teatro, fazendo simultaneamente – para ganhar algum dinheiro – diversos papéis de figurante no cinema. Seguiram-se os tempos da Grande Guerra, da Ocupação e da Resistência. Quando da Libertação de Paris, foi a euforia.
Casou-se em 1946 com a actriz Danièle Delorme e iniciou então, verdadeiramente, uma brilhante carreira cinematográfica. 
Entre dois filmes, Daniel Gélin aventurou-se também na realização de uma longa-metragem, “Les dents longues”, em que entrou igualmente como actor, juntamente com a sua mulher Danièle e um outro casal célebre, Vadim e Bardot, de quem viriam a ser padrinhos de casamento.
Enquanto a mulher continuava a sua carreira com grande êxito nos Estados Unidos, ele granjeava a reputação de ser um “existencialista”, frequentava assiduamente os cafés e as caves de St Germain, convivia com Juliette Greco, Claude Luter e outros, habituando-se a viver a noite. No Verão, seguia com todo o seu grupo em direcção à Cote d’Azur, onde encontrava várias celebridades e onde conheceu Boris Vian. Uma vida trepidante, despreocupada e feliz como era do seu agrado.
Protagonizou vários filmes de sucesso na década de 1950 e conviveu com grandes “monstros” do cinema: Charles Chaplin, Alfred Hitchcock – com quem fez “L‘homme qui en savait trop” (1956) –, Jean Cocteau, Jean Renoir, Marlon Brando e outros. Depois desta película de 1956, entrou em mais 108 filmes e curtas-metragens, sem contar com as suas frequentes aparições na televisão.
Teve interpretações notáveis e inesquecíveis, como em “La ligne de démarcation” de Chabrol (1966), “Le souffle au cœur” de Louis Malle (1971) , “Itinéraire d’un enfant gâté” (1988) e “Hommes, femmes, mode d’emploi” (1996) de Claude Lelouch, e “Les marmottes” de Elie Chouraqui (1993).
O actor acabaria por encontrar no seu caminho uma má companhia, a droga! Lutou para libertar-se, quase sucumbiu a uma overdose, fez esforços, recaiu, vergou-se a curas de desintoxicação, teve problemas com a polícia e a saúde deteriorou-se. Aguentou tudo, mas ele e Danièle, já tantas vezes separados pelos seus compromissos, não voltaram a “reencontrar-se”… Tentaram ficar amigos, chegando a entrar num filme em comum (“Nous irons tous au paradis”).
Daniel Gélin casou-se mais duas vezes, a última das quais com Lydie Zaks, que tinha conhecido em Israel e com quem ficou até ao fim da vida.
Nos anos 1990, o Presidente Mitterrand concedeu-lhe a Legião de Honra. Passou os seus últimos anos a cultivar rosas, a escrever poesia (de que publicou diversas recolhas) e a elaborar algumas obras autobiográficas.

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