quinta-feira, 8 de março de 2012




EFEMÉRIDE – Antónia de Jesus Montes Tonicha Viegas, cantora portuguesa, nasceu em Beja no dia 8 de Março de 1946. Cedo mostrou vocação para cantar. Primeiro na escola e, na adolescência, em festas da Capricho, colectividade de cultura e recreio, actualmente conhecida como Sociedade Filarmónica Capricho Bejense.


Com a irreverência da sua juventude, apresentou-se ainda com 16 anos, num concurso da Emissora Nacional, em cujos “quadros” só viria a entrar aos 18 anos. Entretanto, foi recebendo lições dos maestros Tavares Belo, Fernando de Carvalho, António Melo e outros. Recebeu naqueles dois anos lições de canto por parte da então famosa vedeta internacional Corina Freire.


Iniciou a sua actividade profissional em 1965. No entanto, as primeiras gravações de Tonicha são anteriores àquele ano. O primeiro disco que gravou, um EP chamado “Canções de Natal”, que reuniu vários nomes da canção, foi editado em 1963 pela etiqueta Estúdio. A sua primeira gravação a solo, que foi editada com o nome de Antónia Tonicha, data de 1964, num EP da RCA chamado “Luar para esta noite”.


Em 1966, obteve o primeiro prémio no Festival da Canção da Figueira da Foz. Participou também no filme “Sarilho de Fraldas”, de Constantino Esteves, com Nicolau Breyner, António Calvário e Madalena Iglésias.


Em 1967, recebeu o Microfone de Ouro do Rádio Clube Português e foi eleita Mulher Portuguesa do Ano pelo Clube das Donas de Casa. Venceu igualmente o Prémio de Imprensa desse ano.


Ficou em 2.º lugar no Festival RTP da Canção de 1968. Gravou um EP com temas de José Cid, como “La Mansarde” e “Emporte-Moi Loin d'Ici”. Foi editado um novo EP, ainda com a colaboração de Cid, com os temas “Caminheiro, Donde Vens?”, “Terra Sonhada”, “Amanhã” e “Canção Para um Regresso”.


A ideia de Tonicha gravar igualmente folclore português partiu do seu marido, o etnólogo João Viegas. Ao “Vira dos Malmequeres”, canção recolhida na zona de Santarém, seguiu-se “Resineiro”, um tema gravado por indicação de Zeca Afonso. Estes dois discos, editados pela RCA Victor/Telectra, foram vendidos em mais de 80 000 cópias. Um novo EP, “D. Pedro”, voltou a contar com a colaboração de José Cid, na direcção musical e na autoria de três temas.


Conheceu Ary dos Santos através do compositor Nuno Nazareth Fernandes. Os dois seriam os autores de “Menina do Alto da Serra”, que venceu o Festival RTP da Canção de 1971.


Participou com sucesso em vários festivais internacionais. “Poema Pena” ficou em 4.º lugar nas Olimpíadas da Canção de Atenas, onde Tonicha obteve o 2.º Prémio de Interpretação. Ficou em 3º lugar no Festival de Brasov (Roménia). Com “Manhã Clara”, ganhou o Prémio da Crítica no VI Festival do Rio de Janeiro e com “Rosa de Barro” venceu o 1.º Prémio de Interpretação no Festival de Split.


Assinou depois contrato com a editora Movieplay, gravando versões portuguesas de canções de Patxi Andión. Por iniciativa de José Niza, participou em 1972 no disco “Fala do Homem Nascido”, uma opereta gravada em disco, com poemas de António Gedeão. Os cantores foram Duarte Mendes, Carlos Mendes, Samuel e Tonicha.


Em 1974, foram lançados vários discos através da Zip-Zip. Participou na revista de Sérgio de Azevedo “Uma no Cravo, outra na Ditadura”, com textos do José Carlos Ary dos Santos e música do Fernando Tordo.


Em 1978 foi editado o singleZumba Na Caneca”, um dos seus maiores sucessos populares. Gravou o álbum “Ela por Ela”, em 1980, com canções de Carlos Mendes e Joaquim Pessoa e direcção musical de Pedro Osório.


O disco “Foliada Portuguesa” foi lançado em 1983, incluindo temas como “Todos Me Querem” e “O Mar Enrola Na Areia”. Em 1985, participou no disco “Abraço a Moçambique” e gravou o singleEsta Festa Portuguesa”.


Esteve afastada alguns anos dos palcos e da ribalta, só reaparecendo em 1993 com o CD “Regresso”. Em 1995, gravou “Canções d' Aquém e d'Além-Tejo”. Na Páscoa de 2003, participou num programa do Herman José onde interpretou a “Ave Maria” de Schubert.


Em 2010, aceitou um novo desafio, estreando-se como actriz num musical etnográfico de Tiago Torres da Silva. Para além de cantar um tema inédito (“Quantas voltas dá a nora”) e uma canção que popularizou na década de 1970 (“Vareira do mar”), contracenou com Carlos Mendes, Lurdes Norberto, Cecília Guimarães, Filipa Pais e Joana Negrão.


Ao longo da sua carreira gravou mais de 600 canções e centena e meia de discos.

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