quinta-feira, 5 de setembro de 2013

5 DE SETEMBRO - MAURICE CHALLE


 
EFEMÉRIDEMaurice Challe, general francês, principal organizador do Putsch dos Generais na Argélia em 1961, nasceu em Pontet (Vaucluse) no dia 5 de Setembro de 1905. Morreu em 18 de Janeiro de 1979.
Ingressou na Escola Militar de Saint-Cyr em 1923, sendo subtenente dois anos depois. Saído da Escola Militar, entrou para a Aviação, recebendo formação de piloto. Em 1932, foi promovido a capitão. Em 1937, ingressou na Escola Superior de Guerra Aérea, terminando em Julho de 1939 a sua formação de oficial do estado-maior.
Em 1940, participou nas batalhas aéreas no Norte da França e foi promovido a oficial da Legião de Honra. Depois do armistício de Junho de 1940, tomou o comando de Grupo de Reconhecimento 2/14 em Avignon. Depois da ocupação da “Zona livre”, entrou na Resistência integrando o Serviço de Informações. Em 1944, a trabalhar sob o nome código de Guy, transmitiu para Londres importantes documentos secretos sobre a aviação alemã. Depois do desembarque na Normandia, tornou-se inspector de uma esquadrilha de bombardeiros.
Em 1947, foi transferido para o estado-maior da aviação e, em 1949, recebeu – como general de brigada – o comando da aviação francesa no protectorado de Marrocos. Em 1953, foi nomeado director da Escola Superior de Guerra Aérea. Promovido a general de divisão, tornou-se chefe do estado-maior geral em 1955. Depois da sua promoção a general da aviação, ascendeu a adjunto do general Raoul Salan na então Argélia francesa. 
Fez parte da delegação francesa na reunião secreta tripartida de Sèvres, que antecedeu a operação Mosqueteiro, reacção à nacionalização do canal do Suez por Nasser, que fornecia igualmente ajuda material à FLN (Frente de Libertação Nacional argelina).
Substituiu seguidamente o general Salan em Argel (Dezembro de 1958). As operações contra a FLN passaram a seguir o que se chamou “Plano Challe”. Em Abril de 1960, foi chamado a Paris e, até à sua demissão (desaprovando a política de autodeterminação argelina por parte da França) em Janeiro de 1961, recebeu o comando das forças aliadas da NATO na Europa Central, cujo quartel-general estava implantado em Fontainebleau.
Em 11 de Abril de 1961, de Gaulle deu uma conferência de imprensa, na qual precisou que a França não seria obstáculo à política de autodeterminação argelina e da consequente Argélia soberana. Challe, que vinha a ser solicitado desde há semanas por um pequeno grupo de coronéis para encabeçar um golpe militar, decidiu no dia seguinte fazer parte do complot.
Em 20 de Abril, embarcou incógnito num avião de transporte de tropas com destino ao aeroporto de Argel. O seu plano previa a adesão do exército que estava na Argélia, tomar a capital e acabar com a guerra, fazendo regressar a França os 200 000 soldados do serviço militar obrigatório que ali se encontravam e ocupar o país com 300 000 soldados profissionais, pondo de Gaulle “ao pé da parede”. No dia 22 de Abril, com os seus colegas André Zeller (encarregado da intendência), Edmond Jouhaud (responsável das relações com a população) e em ligação com Raoul Salan, organizou e participou no Putsch dos Generais.
Ao fim de quatro dias e cinco noites, porém, Challe teve de se render. O golpe militar tinha falhado e foi enviado sob detenção para Paris. Foi condenado por um tribunal militar a 15 anos de prisão e à perda de direitos cívicos. Libertado por antecipação em Dezembro de 1966, seria amnistiado por de Gaulle em 1968. Publicou ainda as suas recordações, sob o título “Nossa Revolta”.

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