terça-feira, 19 de janeiro de 2016

19 DE JANEIRO - FRANÇOIS MASPERO

EFEMÉRIDEFrançois Maspero, escritor, tradutor, livreiro e editor francês, nasceu em Paris no dia 19 de Janeiro de 1932. Morreu na mesma cidade em 11 de Abril de 2015.
A sua adolescência foi marcada pelo engajamento da família na Resistência aos nazis. O pai, professor do Collège de France, foi preso em 1944 e morreu no campo de concentração de Buchenwald. O irmão morreu em combate e a mãe, autora de estudos sobre a Revolução Francesa, foi deportada para o campo de Ravensbrück, mas sobreviveu.
Abandonou os estudos de etnologia, para começar a trabalhar numa livraria. Depois de aí ter encontrado vários militantes revolucionários africanos, como Mário de Andrade e Amílcar Cabral, decidiu – em 1955 – endividar-se para tomar em trespasse uma livraria situada no Quartier Latin e chamada La Joie de Lire.
Em 1959, em plena Guerra da Argélia, fundou uma editora com o seu nome, que ficou conhecida por publicar trabalhos de Che Guevara, Louis Althusser, Yves Lacoste, Yannis Ritsos, Nazim Hikmet e de muitos opositores a regimes ditatoriais ou coloniais. Em 1982, a editora foi vendida simbolicamente por um franco, passando a ter uma nova denominação – La Découverte – e a ser dirigida por François Gèze. Maspero tinha sido objecto de 17 condenações policiais por conteúdos publicados.
Depois de 1968, a livraria La Joie de Lire teve de enfrentar um perigo inesperado – o “roubo revolucionário” praticado por alguns esquerdistas. Mais tarde, em 1969/70, sofreu assaltos de grupos de extrema-direita, que acusavam François Maspero de ser um “comerciante das revoluções”. Estes roubos foram uma das causas que o levou a fechar a livraria em 1974/75. Quando a FNAC abriu as suas portas em 1974, La Joie de Lire era a livraria parisiense mais importante.
Em 1978, fundou a revista “L'Alternative”, que dirigiu até 1984, ano em que passou a consagrar o seu tempo inteiramente à escrita. Publicou então várias obras – de carácter auto-biográfico, sobre a Guerra da Argélia, sobre os movimentos de libertação da América Latina, etc.
Foi também tradutor para francês de inúmeros autores estrangeiros, como Luis Sepúlveda, César Vallejo e John Reed. Realizou igualmente várias reportagens para a “Radio France” e para o jornal “Le Monde” (a partir de 1990).
Recebeu, em 2006, o Prémio Édouard-Glissant, pelo conjunto da sua obra. Foi encontrado morto no seu domicílio. Tinha 83 anos. 

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