domingo, 12 de janeiro de 2014

12 DE JANEIRO - AFRÂNIO PEIXOTO



EFEMÉRIDE – Júlio Afrânio Peixoto, médico, político, professor, crítico literário, ensaísta, romancista e historiador brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 12 de Janeiro de 1947. Nascera em Lençóis no dia 17 de Dezembro de 1876. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1910, pertencendo igualmente à Academia Brasileira de Filologia, da qual foi fundador.
Passou a infância no interior da Bahia, na cidade de Canavieiras (onde há uma biblioteca e uma rua com seu nome), vivendo situações e observando paisagens que influenciariam muitos dos seus romances. Formou-se em Medicina em Salvador, no ano de 1897. A sua tese, “Epilepsia e crime”, despertou grande interesse nos meios científicos do país e do estrangeiro.
Em 1902, mudou-se para a capital do país, na época o Rio de Janeiro, onde foi inspector de Saúde Pública e director do Hospital Nacional de Alienados (1904). Ministrou aulas de Medicina Legal na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1907) e ocupou os cargos de professor extraordinário da Faculdade de Medicina (1911), de director da Escola Normal do Rio de Janeiro (1915) e de director da Instrução Pública do Distrito Federal no ano seguinte.
Criticou desde o início a designação de “doenças tropicais”, pela conotação implícita de que elas estariam vinculadas a alguma maldição ou fatalidade geográfica. Proclamou que «as doenças tropicais não existem». Afirmava que as doenças eram decorrentes das precárias condições de vida das populações tropicais e não porque o clima tropical fosse o responsável por elas.
Teve uma passagem pela política quando foi eleito deputado federal pela Bahia, ficando no cargo de 1924 a 1930. Voltou depois ao ensino, como professor de História da Educação no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1932). Foi reitor da Universidade do Distrito Federal em 1935 e, após 40 anos de relevantes serviços, aposentou-se.
Iniciou-se na literatura em 1900, com a publicação de “Rosa mística”, drama em cinco actos. Entre 1904 e 1906, esteve em vários países europeus, a fim de adquirir novos conhecimentos.
Ao regressar ao Brasil, pôs de lado a literatura, dedicando-se unicamente à medicina. Nesse período, foi grande a sua produção de obras de cariz médico/legal/científico. O romance foi, depois, uma “obrigação” a que ele foi levado em virtude da sua eleição para a Academia Brasileira de Letras, para a qual fora eleito quando se achava no Egipto, na sua segunda viagem ao estrangeiro.
Começou então a escrever o romance “A esfinge”, o que fez em três meses, antes de tomar posse na Academia em Agosto de 1911. O Egipto, que acabara de visitar, inspirou-lhe o título e o enredo desta obra, que foi publicada no mesmo ano e obteve um sucesso fora do comum, colocando Afrânio Peixoto num lugar de destaque na galeria dos ficcionistas brasileiros.
Dotado de uma personalidade fascinante e de um excelente domínio oratório, ele prendia a atenção das pessoas e auditórios pela sua palavra inteligente e encantadora. Obteve nessa época uma grande aprovação da crítica e um generalizado prestígio popular.
Como ensaísta, escreveu importantes estudos sobre Camões, Castro Alves e Euclides da Cunha. Como médico, conheceu e estudou as ideias e teorias de Freud, levando-as para muitos dos seus romances.

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