segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

27 DE JANEIRO - ARY FONTOURA



EFEMÉRIDE Ary Beira Fontoura, actor brasileiro, nasceu em Curitiba no dia 27 de Janeiro de 1933. Criou personagens inesquecíveis, como o sinistro professor Aristóbolo Camargo em “Saramandaia”; o avarento Nonô Correia em “Amor com Amor Se Paga”; o prefeito emblemático Florindo Abelha em “Roque Santeiro”; o autoritário coronel Artur da Tapitanga em “Tieta”; o deputado corrupto Pitágoras em “A Indomada”; o milionário que fingia ser faxineiro em “Chocolate com Pimenta”; o misterioso Silveirinha em “A Favorita”; o prefeito falido Isaías “Zazá” Junqueira em “Morde & Assopra”; e o seu personagem mais recente, o Dr. Lutero, em “Amor à Vida”.
Filho de um professor e de uma dona de casa de origem italiana, desde muito cedo manifestou a sua paixão pela arte de representar. Aos quatro anos, já gostava de imitar as pessoas e transformava diversas situações em cenas teatrais. Aos dez, cantava em programas infantis da Rádio Clube Paranaense. Em 1961, foi descoberto pela produção da primeira serie feita para TV no Brasil – “O Vigilante Rodoviário” – na qual participou num episódio filmado em Curitiba e Vila Velha, no Paraná onde residia.
Ser actor, porém, naqueles tempos, não era uma escolha bem vista pelas famílias e a profissão, ainda não regulamentada, estava associada à marginalidade. Resolveu, então, cursar a Faculdade de Direito, que abandonou no último ano para seguir a sua verdadeira vocação. Durante seis meses, trabalhou no Circo dos Irmãos Queirolo, uma das diversões da capital paranaense nas décadas de 1940 a 1970. Entusiasmado em seguir uma carreira artística, arrendou um imóvel e montou um grupo de teatro amador, a Sociedade Paranaense de Teatro, com amigos que tinham os mesmos interesses. Destacou-se igualmente no teatro radiofónico. No início dos anos 1960, foi director de tele-dramaturgia na TV Paraná, onde também apresentou diversos shows televisivos.
Na busca de novas oportunidades, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1964. Entre vários castings para integrar o elenco de peças teatrais, ainda conseguiu gravar um LP, com a sua experiência de ter sido cantor de músicas românticas, como boleros e sambas canção, em salas de Curitiba. Participou em comédias ligeiras e musicais, actuando em “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”, com Marília Pêra, Procópio Ferreira e Moacyr Franco, e fez verdadeiros malabarismos para sobreviver e não ter de voltar à cidade natal. Chegou, inclusivamente, a ser engraxador de sapatos e conseguiu um emprego de cozinheiro num pequeno restaurante.
Por intermédio do actor Graça Mello, conseguiu o seu primeiro papel na TV Globo, na série “Rua da Matriz” (1965). A sua primeira telenovela foi “Passo dos Ventos” (1968), de Janete Clair, a que se iriam seguir cerca de outras quarenta na Rede Globo.
Em 1975, foi escolhido para actuar em “Gabriela”, novela escrita a partir da obra de Jorge Amado. Mais de 30 anos depois, integraria o elenco do remake de “Gabriela”.
A actuação de Ary Fontoura na TV não se limitava às telenovelas. Trabalhou em programas humorísticos, como “Faça Humor Não Faça Guerra”, na década de 1970, e “Sai de Baixo”, em 2000, além de participar em diversos séries e outros programas. Teve ainda um papel de destaque no programa infanto-juvenil “Sítio do Picapau Amarelo”, em 2004.
Ainda nos anos 2000, partilhou a cena com a actriz Nicette Bruno na novela “Sete Pecados” (2007), interpretando os personagens Romeu e Julieta, vivendo um romance na terceira idade que arrebatou o público brasileiro. Em 2008, estreou-se em “A Favorita” e, no ano seguinte, fez uma participação especial na novela “Caras & Bocas”.
Ary Fontoura fez igualmente mais de 20 filmes, desde “O Vigilante Rodoviário” (1962) até “A Guerra dos Rocha” (2008). Neste último, interpretou o papel de uma mulher – a matriarca octogenária, em torno da qual gira toda a história.
A sua passagem pelo teatro também foi fecunda. Teve actuações em comédias clássicas e teatro de revista, com passagens pelo Teatro Nacional de Comédia e pelo Grupo Opinião. Em 1978, integrou o elenco de “A Ópera do Malandro” de Chico Buarque. Na década de 1980, fez trabalhos memoráveis no elenco fixo do Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, como as peças “Rei Lear” de Shakespeare e “Sábado, Domingo e Segunda” de Eduardo De Filippo. Pelas suas actuações nestas duas últimas peças, recebeu duas vezes o Troféu Mambembe de Melhor Actor (1983 e 1986). Em 2005, comemorou os 55 anos de carreira com a peça “Marido de Mulher Feia Tem Raiva de Feriado”.
Em 2011, entrou em “Morde & Assopra” como o prefeito falido Isaías “Zazá” Junqueira, casado com a fútil Minerva e pai da mimada Alice e de um divertido homossexual. Além de ver a sua actuação muito elogiada, Zazá Junqueira tornou-se um personagem inesquecível e, segundo ele próprio, um dos principais da sua carreira.

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