terça-feira, 25 de junho de 2019

25 DE JUNHO - RICARDO SALGADO


EFEMÉRIDE - Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado, economista e banqueiro português, nasceu em Cascais no dia 25 de Junho de 1944. Foi presidente do Banco Espírito Santo e era, em 24 de Julho de 2014, o banqueiro há mais tempo no activo em Portugal. Era conhecido geralmente como “O Dono Disto Tudo”.
Ricardo Salgado passou os primeiros anos da sua vida em Lisboa, vivendo na Lapa. Fez todo o seu percurso escolar em escolas públicas, frequentando uma primária na Lapa e, mais tarde, o Liceu Pedro Nunes. Em 1969, licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa.
Cumpriu o serviço militar na Marinha Portuguesa, onde fez o Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval, antes de se juntar ao Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa, em 1972. Neste mesmo ano, no Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa, assumiu a direcção do gabinete de estudos económicos e posteriormente a direcção de crédito, onde ficou até 1975, altura em que o banco foi nacionalizado.
Foi para o exterior, onde participou na reconstrução do Grupo Espírito Santo, primeiro a partir do Brasil (1976/1982) e depois na Suíça (1982/1991), de onde regressou para investir em Portugal. Começou pela criação do Banco Internacional de Crédito em 1986, quando a Constituição da República Portuguesa ainda não permitia reprivatizações. Mais tarde, este banco foi absorvido pelo Banco Espírito Santo.
Em 1991, após a reprivatização, Ricardo Salgado assumiu a presidência executiva do Banco Espírito Santo e deu início a um percurso que conduziu a um aumento de quota de mercado de 8% para 20% e à internacionalização do BES. Em 2002, foi nomeado para o Supervisory Board da Euronext NV (Amesterdão) e, em 2006, participou na fusão da Euronext com o New York Stock Exchange, tendo feito parte do seu Conselho como membro ‘não executivo’ até 2011. Foi administrador ‘não executivo’ do Banco Bradesco (Brasil) de 2003 a 2012.
Foi presidente da comissão executiva e vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Espírito Santo. Foi ainda membro do conselho superior do Grupo Espírito Santo. Acumulou estas funções com as de presidente do Conselho de Administração do Espírito Santo Financial Group sedeado no Luxemburgo e do Banco Espírito Santo de Investimento. Foi ainda administrador do Espírito Santo Bank of Florida (EUA), da E.S. International Holding (Luxemburgo), da Espírito Santo Resources (Bahamas), do Banque Privée Espírito Santo (Suiça) e do Banque Espírito Santo et de la Vénétie (França). Foi mentor da internacionalização do BES, apostando no triângulo estratégico África/Brasil/Espanha. A área internacional pesava metade dos lucros do banco. Em 2012, o banco liderado por Ricardo Salgado foi o único dos três maiores bancos privados portugueses a aumentar capital, recorrendo apenas aos accionistas e ao mercado de capitais, sem recorrer ao dinheiro dos contribuintes. Em Janeiro de 2013, o BES foi o único banco português a gerir a operação que marca o regresso de Portugal aos mercados desde que o país foi alvo de intervenção da troika.
Em Junho de 2014, o banco liderado por Salgado levou a cabo uma operação de aumento de capital, considerada pelo banqueiro como a de maior sucesso desde a privatização em 1992. O aumento de capital do BES foi totalmente subscrito, tendo a procura superado 178% da oferta disponível.
No entanto, no mês seguinte, Salgado foi afastado da liderança do Banco e substituído por Vítor Bento, devido à revelação de prejuízos e irregularidades de contas, mais tarde confirmados como consequências de uma «gestão ruinosa» praticada por Salgado.
Fora nomeado Economista do Ano, pela Associação Portuguesa de Economistas (1992) e Personalidade do Ano, pela Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil (2001).
Recebeu as seguintes condecorações: cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito de França (1994); grande-oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil (1998); Medalha de Mérito Empresarial da Câmara Municipal de Cascais (1999); cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra de França (2005); e Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República da Hungria (2012).
Em Dezembro de 2014, Salgado foi considerado o Pior Presidente Executivo de 2014 pela BBC. Esta escolha foi baseada no facto de Salgado ser o principal agente na queda do segundo maior banco português.
Em Julho de 2013 fora-lhe atribuído o doutoramento Honoris Causa pela Universidade Técnica de Lisboa, tendo sido distinguido por serviços prestados à Economia, à Cultura, à Ciência e à Universidade.
Ricardo Salgado é membro do Instituto Internacional de Estudos Bancários desde 2003 e seu presidente entre Outubro de 2005 e Dezembro de 2006.
Mais recentemente, veio à tona de água o reverso da medalha…
- Operação Monte Branco: Em Julho de 2014, no Estoril, Salgado foi detido em sua casa, por alegado envolvimento nesta Operação, «que investiga a maior rede de branqueamento de capitais alguma vez detectada em Portugal». Depois de prestar declarações no Tribunal Central de Instrução Criminal, foi posteriormente libertado e sujeito à prestação de uma caução de três milhões de euros. Segundo a Procuradoria-Geral da República, Salgado estava indiciado por crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais. De acordo com o que foi defendido pelo procurador do Ministério Público, após o interrogatório, o banqueiro ficou ainda proibido de se ausentar do território nacional e de efectuar contactos com determinadas pessoas que estão relacionadas com o processo.
Por pressão do Banco de Portugal, Ricardo Salgado pedira demissão - em Junho de 2014 - do cargo de presidente da Comissão Executiva do BES, tendo sido substituído por Vítor Bento. Em Julho de 2014, demitiu-se da presidência do BESI.
Ricardo Salgado transferiu para a mulher e os três filhos quase 2 mil milhões de euros, cinco meses antes do colapso do BES.
Em Maio de 2015, enfrentou acusações de prática de actos dolosos de gestão ruinosa. Salgado ordenara que a contabilidade do Espírito Santo Internacional fosse alterada, o que mostra que ele terá mentido na comissão parlamentar de inquérito. Estas práticas terão lesado depositantes, investidores e demais credores, segundo as acusações do Banco de Portugal.
Em Julho de 2015, foi constituído arguido, indiciado por crimes de burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, branqueamento, fraude fiscal qualificada e corrupção no sector privado, no âmbito das investigações relacionadas com o denominado “Universo Espírito Santo”. O juiz decidiu aplicar ao arguido a medida de coacção de prisão domiciliária com vigilância policial (24 horas).
Em Junho de 2016, o Banco de Portugal condenou Salgado a uma multa de quatro milhões de euros e à proibição de exercer qualquer actividade na banca durante 10 anos. Foi condenado por cinco actos ilícitos referentes à venda de dívida da Espírito Santo International a clientes do antigo BES e da ESAF.
- Operação Marquês: Ricardo Salgado é igualmente arguido neste processo. Está acusado de corrupção activa de titular de cargo político, branqueamento de capitais, abuso de confiança, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada. No Ministério Público, confrontado com milhões transferidos do GES, terá negado que alguma vez tenha pago luvas ao antigo primeiro-ministro.

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