terça-feira, 31 de dezembro de 2013

31 DE DEZEMBRO - FLORA GOMES



EFEMÉRIDEFlora Gomes, realizador da Guiné-Bissau, pioneiro do cinema no seu país e um dos mais representativos cineastas africanos, nasceu em Cadique no dia 31 de Dezembro de 1949. É conhecido pelo modo original como traça retratos africanos, recorrendo ao mito e à história actual, numa fusão com delicada carga poética e forte sentido universal.
Filho de pais iletrados, lutando contra toda a espécie de dificuldades, empenhou-se desde criança em superar a sua condição social de origem. Conheceu as adversidades que o sistema colonial português, gerido por Salazar, impunha aos seus súbditos. Viu com admiração os líderes do seu país baterem-se de armas na mão contra a injustiça e nunca escondeu a sua admiração por Amílcar Cabral que, nas suas palavras, terá sido «como um pai» para ele. Conheceu a dura experiência do exílio e, empenhado no seu próprio combate, estabeleceu laços de amizade com outros lutadores: não só do seu país como de Cabo Verde e de vários outros países africanos.
Estudou cinema em Cuba (1972) no Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográficas. Prosseguiu a sua aprendizagem no Senegal, no Jornal de Actualidades Cinematográficas Senegalesas. Co-realizou dois filmes com Sérgio Pina. Foi assistente de Chris Marker e de Anita Fernandez.
Regressado ao seu país, filmou a independência (24 de Setembro de 1974), satisfazendo o desejo de Amílcar Cabral de serem os próprios guineenses a registar em película esse momento histórico. A Guiné, que se libertara do jugo colonial, foi visitada por repórteres e cineastas progressistas e, dados os conhecimentos já adquiridos nas lides do cinema, Flora Gomes era bastante solicitado para os ajudar, o que enriqueceu o seu saber.
Trabalhou, no final da década, como fotógrafo e operador de câmara, colaborando com o ministério da Informação. Realizou documentários históricos. A sua primeira longa-metragem de ficção foi rodada em 1987 – “Mortu Nega”, um filme que evoca a luta pela independência. A obra foi exibida em vários festivais internacionais e Flora Gomes despertou a atenção de comentadores e críticos. Em França, foi acolhido de braços abertos, o que no futuro lhe permitiria reunir meios financeiros para a produção de novos filmes. Foi distinguido neste país, em 2000, com o título de Cavaleiro das Artes e das Letras.
Participou e foi premiado em diversos festivais, como os Veneza (1988) e Cannes (1996). Dada a sua nacionalidade e o facto de vários dos seus filmes serem co-produções com Portugal, Flora Gomes ocupa também um lugar especial na história do cinema português.
Podendo ter escolhido trabalhar no estrangeiro, Flora Gomes – apesar das dificuldades encontradas para a produção dos seus filmes na Guiné-Bissau – continua a viver e a trabalhar no seu país.

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