sábado, 23 de junho de 2018

23 DE JUNHO - EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS


EFEMÉRIDE - A Exposição do Mundo Português foi inaugurada em 23 de Junho de 1940. Encerrada em 2 de Dezembro do mesmo ano.
Historicamente coincidente com o primeiro ano da Segunda Guerra Mundial, teve o propósito de comemorar a data da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640), mas também (e esse seria o objectivo primordial), o de celebrar o Estado Novo, então em fase de consolidação. Foi a maior exposição do género realizada no país até à Expo 98 (1998).
A ideia de celebrar o duplo centenário (1140 e 1640), que esteve na origem da Exposição do Mundo Português, foi lançada em 1929 pelo embaixador Alberto de Oliveira. A exposição veio a surgir na sequência da participação portuguesa nas grandes Exposições Internacionais de Paris (1937), Nova Iorque e São Francisco (1939).
A mostra assumiu, no que respeita aos recursos materiais e humanos, uma dimensão inédita, tornando-se no acontecimento político-cultural mais marcante do regime.
A opção estética adoptada nas comemorações provocou críticas violentas por parte de artistas académicos, liderados pelo coronel Arnaldo Ressano Garcia (presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes), e que ficariam maioritariamente à margem do evento.
A comissão nacional foi presidida por Alberto de Oliveira e secretariada por António Ferro, integrando um vasto número de personalidades da vida pública nacional. A comissão executiva foi presidida por Júlio Dantas, tendo como secretário-geral António Ferro. A comissão especial foi dirigida por Augusto de Castro (comissário-geral), secundado por Sá e Melo (comissário-geral-adjunto), tendo Cottinelli Telmo como arquitecto-chefe. Gustavo de Matos Sequeira encarregou-se da coordenação histórica, José Leitão de Barros dos serviços externos e Gomes de Amorim do ajardinamento dos espaços. Os espaços foram utilizados em congressos, cerimónias e vários espectáculos. A exposição incluiu pavilhões temáticos relacionados com a história de Portugal, suas actividades económicas, cultura, regiões, territórios coloniais e o Pavilhão do Brasil (o único país estrangeiro presente).
Situado entre a margem direita do rio Tejo e o Mosteiro dos Jerónimos, o evento ocupou uma área de cerca de 560 mil metros quadrados e implicou a renovação urbana da zona ocidental de Lisboa. O local era particularmente favorável ao efeito teatral desejado, criando-se desde logo uma monumental Praça do Império (actual Jardim da Praça do Império), ladeada a nascente e poente por dois grandes pavilhões longitudinais perpendiculares ao mosteiro quinhentista: o Pavilhão de Honra e de Lisboa (de Luís Cristino da Silva) e, do outro lado, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo (do próprio Cottinelli Telmo).
A entrada principal localizava-se na Praça Afonso de Albuquerque, junto ao Mosteiro dos Jerónimos; outras duas entradas, de ambos os lados da linha de caminho-de-ferro, faziam-se por portas agenciadas entre quatro construções quadrangulares, tendo - nas faces principais - baixos relevos representando guerreiros medievais com grandes escudos. Atravessando a linha férrea através da passarela monumental, encontrava-se a Secção Histórica (Pavilhão da Formação e Conquista; Pavilhão da Independência; Pavilhão dos Descobrimentos e Esfera dos Descobrimentos). Do outro lado, situavam-se os Pavilhões da Fundação, do Brasil e da Colonização. Atravessando o Bairro Comercial e Industrial, chegava-se perto do Mosteiro dos Jerónimos, à entrada da Secção Colonial. No canto precisamente oposto, um Parque de Atracções fazia a delícia dos mais novos.
Descendo em direcção ao rio Tejo, e para além do Pavilhão dos Portugueses no Mundo, a Secção de Etnografia Metropolitana, com o seu Centro Regional, contendo representações das Aldeias Portuguesas e os Pavilhões de Arte Popular. Por trás deste último pavilhão, encontrava-se o Jardim dos Poetas e o Parque Infantil. Frente ao rio Tejo, com as suas docas, um Espelho de Água com um restaurante abria o caminho para o Padrão dos Descobrimentos e para a Nau Portugal.
Entre as obras de maior relevo, destaque-se o Pavilhão da Honra e de Lisboa, que recebeu as melhores opiniões da crítica. Do Pavilhão dos Portugueses no Mundo, com um risco mais simples, destacava-se a possante estátua da Soberania, de Leopoldo de Almeida, imagem de uma severa mulher couraçada, segurando a esfera armilar.
O Padrão dos Descobrimentos, da autoria de Cottinelli e Leopoldo de Almeida, pretendia ilustrar a importância histórica dos descobrimentos. A estrutura do monumento representava, de modo esquemático, uma embarcação com três velas. Sobre um plano inclinado, ladeando o velame estilizado, duas sequências de figuras, lideradas, à proa, pelo timoneiro de todo o projecto expansionista português, o infante D. Henrique. O padrão original foi construído em materiais perecíveis. Viria a ser reconstruído em betão e cantaria de pedra em 1960, por ocasião da comemoração dos 500 anos da morte do Infante.
A ideia da Nau Portugal partiu de Leitão de Barros e mostrou ser uma assinalável reconstituição do passado. Embora apelidada de nau, esta embarcação era na realidade a réplica de um galeão da carreira da Índia no século XVII.
A exposição recebeu cerca de três milhões de visitantes, constituindo a mais importante iniciativa cultural do regime (que enfrentaria a sua primeira crise política cinco anos mais tarde, com o fim da guerra e a derrota dos regimes totalitários de Hitler e Mussolini).
A maioria das edificações da exposição foi demolida, restando apenas algumas, entre as quais o Monumento aos Descobrimentos e o edifício que hoje acolhe o Museu de Arte Popular.

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