quarta-feira, 27 de junho de 2018

27 DE JUNHO - BRUNO TOLENTINO


EFEMÉRIDE - Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino Sobrinho, poeta brasileiro, morreu em São Paulo no dia 27 de Junho de 2007. Nascera no Rio de Janeiro em 12 de Novembro de 1940. Ficou conhecido pela sua forte oposição ao movimento modernista, à cultura popular e à poesia concreta. Bruno foi um defensor das formas clássicas e tradicionais na poesia. É tido como um dos intelectuais conservadores mais importantes da sua geração. O seu trabalho foi agraciado com o Prémio Jabuti em três ocasiões: 1994, 2000 e 2007.
Nascido numa família tradicional carioca, conviveu desde criança com intelectuais e escritores próximos da família, entre eles Cecília Meireles (a quem sempre se referiu carinhosamente como Tia Cecília), Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. À moda já antiga das preceptoras, foi instruído em inglês e francês ao mesmo tempo da sua alfabetização em português.
Publicou em 1963 o seu primeiro livro, “Anulação e outros reparos”. Com o advento do golpe militar de 1964, mudou-se para a Europa a convite do poeta Giuseppe Ungaretti, onde viveu trinta anos. Residiu em Inglaterra, Bélgica, Itália e França. Leccionou nas Universidades de Oxford, Essex e Bristol e trabalhou como tradutor-intérprete junto da Comunidade Económica Europeia. Publicou em 1971, em língua francesa, o livro “Le vrai le vain” e, em 1979, em língua inglesa, “About the Hunt”, ambos bem-recebidos pela crítica literária europeia. Sucedeu ao poeta e amigo W. H. Auden na direcção da revista literária “Oxford Poetry Now”.
Em 1987, sob a acusação de posse de drogas, foi condenado a 11 anos de prisão. Cumpriu apenas 22 meses da pena, em Dartmoor, no Reino Unido, com o perdão do governo inglês, que reconheceu que ele tinha sido vítima de uma injustiça. «Adorei a experiência e procurei tirar o máximo de proveito», declarou ele sobre os dias de encarceramento, numa entrevista em Agosto de 2006. Para os companheiros de prisão, organizava aulas de Alfabetização e de Literatura às quais chegaram a assistir psicanalistas de renome e personalidades do mundo das Letras como o dramaturgo Harold Pinter.
Tolentino regressou ao Brasil em 1993, publicando o livro “As horas de Katharina”, escrito durante um período de 22 anos (1971/1993), ganhando com ele o Prémio Jabuti de Melhor Livro de Poesia de 1994. Em 1995, publicou “Os Sapos de Ontem”, uma colectânea de textos, artigos e poemas originados numa polémica intelectual com os irmãos Haroldo de Campos e Augusto de Campos. Ainda em 1995, publicou “Os Deuses de Hoje” e, em 1996, “A Balada do Cárcere”.
Entre os anos 2000 e 2002, morou no Santuário Estadual de Nossa Senhora da Piedade em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde viveu a sua fé católica.
Bruno publicou em 2002 e 2006, respectivamente, os livros que considerou como a culminação da sua obra poética: “O Mundo Como Ideia”, escrito durante quarenta anos (1959/1999), e “A Imitação do Amanhecer”, escrito durante 25 anos (1979/2004). Ambos lhe renderam o Prémio Jabuti, tornando-o assim um dos únicos escritores a ganhar três edições do prémio, considerado o mais importante da literatura brasileira. Recebeu, também, por “O Mundo Como Ideia”, o Prémio Senador José Ermírio de Morais, nunca antes dado a um escritor.
Tolentino era portador de SIDA e já havia superado um cancro. Esteve internado durante um mês na Unidade de Cuidados Intensivos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, onde veio a falecer, aos 66 anos de idade, por falência múltipla de órgãos.

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