domingo, 5 de julho de 2015

5 DE JULHO - MIA COUTO

EFEMÉRIDEMia Couto, de seu verdadeiro nome António Emílio Leite Couto, biólogo e escritor moçambicano, nasceu na cidade da Beira no dia 5 de Julho de 1955. Adoptou aquele pseudónimo, porque tinha uma paixão por gatos e porque o irmão mais novo não conseguia pronunciar o seu nome.
Com catorze anos, teve alguns poemas publicados no jornal “Notícias da Beira” e, em 1971, mudou-se para Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em Medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974.
Trabalhou na “Tribuna” até à destruição das suas instalações, em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado director da Agência de Informação de Moçambique e formou uma rede de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir, trabalhou como director da revista “Tempo” até 1981 e continuou a carreira no jornal “Notícias” até 1985.
Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, “Raiz de Orvalho”, que – segundo algumas interpretações – inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois, decidiu continuar os estudos universitários na área de Biologia.
Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. “Terra Sonâmbula”, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.
Em 25 de Novembro de 1998, foi feito Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Foi fundador e é ainda colaborador de uma empresa de estudos ambientais.
Em 2013, foi homenageado com o Prémio Camões, o principal prémio da língua portuguesa, pelo conjunto da sua obra. Foi-lhe entregue em 10 de Junho, dia de Portugal, no Palácio de Queluz, pelo presidente de Portugal Cavaco Silva e pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
Mia Couto tem uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romances e crónicas. Muitos dos seus livros estão publicados em mais de vinte países e traduzidos em alemão, francês, castelhano, catalão, inglês e italiano.
Em 1999, a Editorial Caminho (que publica as obras de Mia Couto em Portugal) relançou “Raiz de Orvalho e outros poemas” que teve a sua 3ª edição em 2001. Em 2011, a mesma editora publicou o seu segundo livro de poesia “Tradutor de Chuvas”.
No meio dos anos 1980, Mia Couto estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar – ou “falinventar” português –, que continua a ser o seu ex-líbris. Editou também em livro algumas das suas crónicas, que continuam a ser publicadas regularmente num dos semanários publicados em Maputo.
Tem recebido inúmeros prémios e é sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras.
Como biólogo, dirige uma empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor de Ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane.

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